Camisetas Upanji (Bravura, Energia e Coragem)

Das lutas de libertação na África, ao Brasil dos negros e mestiços(“democracia racial”) até a potência capitalista e segregacionista do Estados Unidos da América, com as Jim Crow Laws.
Cabe lembrar, o caráter de protesto musical de Fela Kuti, compositor, musico e ativista. Suas canções questionava a supremacia branca europeia. Gentleman (Cavalheiro) é uma de muitas canções que ele deixa bem clara sua posição de confronto com o modelo europeu:
“Eu não serei um cavalheiro
Eu vou ser um homem africano original”
Já no Brasil temos Carolina Maria de Jesus, escritora periférica que revela seu cotidiano socioeconômico no livro Quarto do Despejo que já foi traduzido para mais de treze idiomas desde o seu lançamento. E é nítido em seus escritos, se posiciona diante da situação que vive:
“Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha.
Parece que vim ao mundo predestinada a catar.
Só não cato felicidade” (p. 72).
Tanto Fela, Carolina e outros como Assata e Fanon, são mais que teorias, canções, das suas receptíveis realidades, são um grupos de homens e mulheres deflagram uma verdade que destoa do poder que os rege. Enquanto existe a “[…] pretensão dos grupos dominantes de monopolizar a articulação e a enunciação daquilo que deveria ser considerado ortodoxo, […] (Mbembe, 2013, p.52)”, também coexistem agentes sociais que oferecem aos seus ouvintes a proclamação de outra visão de realidade, criando consenso e alimentando a esperança.

Ofereceram uma possibilidade de vislumbrar um outro mundo, outras possibilidades e ofertaram mais além, uma pequena abertura a pensar o diferente, com certeza possibilita a formação de um ser não zumbi do qual FelaKuti cantava.

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